Historicamente, a cerâmica é o material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e se tornou agricultor, o homem necessitava não apenas de um abrigo, como também de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham de ser resistentes ao uso, impermeáveis á humidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila.
Os vasos mais antigos que se conhecem eram modelados à mão em barro cru, tal e qual era extraído da terra, secos ao sol e ao vento. Mesmo nesta etapa do seu desenvolvimento, antes de possuir uma escrita, literatura ou mesmo uma religião, o homem possuía já esta arte, e os vasos que então produzia ainda são capazes de nos sensibilizar pelas suas formas expressivas. Quando descobriu o fogo e aprendeu a tornar os seus vasos resistentes e duradouros, quando inventou a roda e, como oleiro, pôde acrescentar ritmo e movimento ao seu conceito de forma, tornaram-se presentes todos os elementos essenciais da mais abstrata de todas as formas de arte.
Esta foi evoluindo desde as suas humildes origens até que se tornou na arte representativa da espécie mais intelectual e sensível que o mundo conheceu. Um vaso grego é o verdadeiro protótipo da harmonia clássica. Depois, para o Oriente, outra grande civilização fez da cerâmica a sua arte mais típica e mais estimada, levou-a a requintes mais delicados que os próprios Gregos. Um vaso grego é harmonia mas um vaso chinês, alcança harmonia dinâmica, já não é só uma relação numérica, mas um movimento vivo.
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